A grande maravilha da encarnação de Cristo em todos nós desvanece
diante na rotina da vida de um infante; a maravilha experimentada na
transfiguração desaparece chegando ao vale perante alguém possuído de
demónio; a glória da ressurreição desce para o nível de uma refeição
matutina à beira-mar. Não se trata de um anti-clímax, mas, de uma grande revelação de Deus para todos nós.
A nossa tendência é procurar em nossa experiência só o que é
extraordinário; confundimos o sentido do que é heróico com o de sermos
nós os heróis. Uma coisa é passarmos por uma crise em grande estilo,
outra é viver cada dia glorificando a Deus quando não há testemunhas,
nem refletores ou retransmissores, nem ninguém prestando a mínima
atenção ao que fazemos. Se não buscamos auréolas para as nossas cabeças,
queremos pelo menos que algo em nós leve as pessoas a dizer: "Que
maravilhoso homem de oração é ele! Que mulher dedicada e devota é esta!"
Se a sua dedicação ao Senhor Jesus for íntegra, você já alcançou a
sublime posição onde ninguém pensará sequer poder notar que você existe;
a única coisa que se nota é o poder de Deus fluindo através de si como
templo, sem cessar.
"Oh Deus chamou-me para algo maravilhoso e
glorioso!" Para que possamos fazer a tarefa mais corriqueira para a
glória de Deus será necessário que o todo-poderoso Deus esteja encarnado
e vivente em nós. É preciso que o Espírito de Deus esteja em nós para
nos tornar profundamente seus, mantendo-nos ainda humanos e passando
totalmente despercebidos nisso. Somos aprovados como servos de Deus, não
por causa do sucesso, mas, antes pela nossa fidelidade em todos aqueles
pormenores da nossa vida quotidiana. Estabelecemos como alvo ter
sucesso na obra evangélica; mas o alvo a tomar é, exclusivamente,
manifestar a glória de Deus na vida rasteira e humana cá na terra; é
viver, sob as limitações humanas que temos, a vida que está "oculta
juntamente com Cristo em Deus", Col.3:3, mas, em nós como somos. Será
naquele cenário das relações humanas que a vida real e ideal, a de Deus,
deve ser vivida e preenchida por inteiro.
P/ Oswald Chambers
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