Naquela noite, em oração, Rafael percebeu que todo o talento que tinha não era realmente seu — era um presente de Deus. Pela primeira vez, ele entendeu que sua vida não deveria ser usada para sua própria glória, mas para servir ao Senhor. Foi uma luta interior: abrir mão dos seus sonhos pessoais para viver o propósito de Cristo. Porém, quando finalmente disse: “Jesus, sou Teu, faz a Tua vontade em mim”, encontrou uma paz e uma alegria que nunca havia experimentado.
Essa experiência reflete o que Jesus disse ao Pai em João 17.6: “Eram teus, tu mos confiaste”. O missionário, assim como todo discípulo, é alguém que compreende, pela obra do Espírito Santo, que já não pertence a si mesmo, mas a Cristo. Reconhecer “não sou meu” é alcançar verdadeira nobreza espiritual. A vida cristã não consiste em exibição, mas em entrega absoluta.
Jesus nunca enviou discípulos apoiados apenas nas experiências que tiveram com Ele, mas somente após a ressurreição, quando entenderam pelo Espírito quem Ele realmente era. Ser discípulo é ser propriedade exclusiva de Cristo, ainda que isso signifique renunciar até aos laços mais íntimos, porque qualquer afeto humano pode se tornar concorrente direto de Sua primazia.
O chamado de Jesus é radical: ser d’Ele inteiramente. A missão não é simplesmente fazer algo por Cristo, mas pertencer a Ele de modo que Ele viva e realize Sua obra através de nós. Assim como Rafael descobriu, a verdadeira vida começa quando entendemos que somos totalmente de Jesus.

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