Durante
algum tempo ficamos hiper-conscientes das atenções que Deus nos dá; mas, quando
ele começa a usar-nos para a sua causa, assumimos um ar patético e começamos
assim a falar de provações e dificuldades enquanto Deus está apenas a tentar
fazer-nos cumprir nosso dever anonimamente. Se dependesse de nós, nenhum de nós
seria um "Zé-ninguém" no reino de Deus. Somos capazes de cumprir
nosso dever ainda se Deus nos fechar o céu? Alguns de nós desejam ser santos
resplandecentes com auréolas douradas no brilho da inspiração, gozando as
atenções do povo de Deus a tempo inteiro. Um cristão que se assegura através de
sua própria imagem não serve para nada; é anormal, sem mais valia para a vida
diária e sem a semelhança de Deus espelhada nele. Estamos aqui, não como anjos
em formação, mas, como homens e mulheres que lutam, para realizarmos as tarefas
do mundo, porque nascemos do alto para realizá-las contando com um poder
infinitamente grande para suportar qualquer agitação.
Se
tentamos trazer de volta os raros momentos de inspiração, isso é sinal de que
não é Deus que queremos. Estamos transformando em talismãs aqueles momentos
sobre os quais Deus se revelou e falou e insistindo em que ele o faça de novo o
que já fez; contudo, o que Deus quer é que "andemos pela fé". Quantos
de nós nos "encostamos", por assim dizer, afirmando: "Não posso
fazer mais nada, enquanto Deus não se manifestar". Ele não o fará. E, sem
a inspiração e nenhum toque de Deus, teremos que nos erguer sozinhos. Logo
virá, então, a surpresa: "Então! Ele esteve aqui o tempo todo e eu não
sabia!" Em nenhum momento viva apenas em função daqueles momentos raros;
eles são surpresas. Deus nos dará toques de inspiração quando perceber que não
há o risco de sermos desviados para eles. Não devemos fazer nunca desses
momentos de inspiração o nosso padrão vivente. Nosso dever é que é o nosso
padrão.
P/
Oswald Chambers
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